Auto-acusação (Teaser)

Auto-acusação (Teaser)

Auto-acusação é uma confissão, na qual a palavra “Eu” pode referir-se a qualquer um, de modo que não se trata da auto-acusação apenas do autor, mas de uma auto-acusação de qualquer um dos que se encontram no palco e na plateia: "Eu fui ao teatro. Eu ouvi esta peça. Eu disse esta peça. Eu escrevi esta peça". Se por um lado a linguagem permite um trabalho de voz surpreendente, por outro, a forma como a voz desse “Eu” é trabalhada gera um verdadeiro potencial para o "conceito polifónico", criando possibilidades únicas para despoletar as ações físicas. Interessa-nos reavaliar a intenção de provocação com que Auto-acusação foi criada face aos hábitos de percepção do público, e que, naturalmente, tem de ser revista, já que o público atual tem hábitos de percepção bem distintos dos da época em que a peça foi escrita. Auto-acusação é um projecto co-dirigido por Joana Providência e Maria do Céu Ribeiro, o que desde logo reforça a vontade de articular – de uma maneira orgânica – palavra e movimento. Auto-acusação de Peter Handke é uma das intituladas Peças Faladas, na qual não há personagens, narração ou cenário: onde a palavra ganha o protagonismo da cena. Direção JOANA PROVIDÊNCIA e MARIA DO CÉU RIBEIRO Interpretação ANTÓNIO JÚLIO, CATARINA GOMES, MARGARIDA GONÇALVES, PEDRO GALIZA E SANDRA SALOMÉ Desenho de Luz NUNO MEIRA Som LUÍS ALY Cenografia CRISTÓVÃO NETO Figurinos CÁTIA BARROS