Homens, Deuses e Santos na Vila de Itaúnas" é um etnodocumentário realizado no norte do estado do Espírito Santo, na pequena Vila de Itaúnas. Sua população tradicional de pescadores artesanais guarda forte traço afrodescendente em seu modo de vida. Seus habitantes narram sobre suas raízes ligadas ao Ticumbi e Arte de Curar, suas tradições, fé e devoção a São Benedito e a São Sebastião. Direção e Pesquisa: Maria Aparecida de Sá Xavier Produção Executiva: Lab.Muy Arte e Cultura Digital Direção de Produção: Carol Covre Câmera: Carol Covre e Hugo Reis Som direto: Hugo Reis Edição: Carol Covre Edição de Som e Mixagem: Joceles Bicalho "Em posição crítica à sociedade do espetáculo, o documentárioHomens, Deuses e Santos na Vila de Itaúnas da geógrafa Maria de Sá Xavier é um rico suporte de elementos materiais e simbólicos. Estão em jogo espaço e tempo, objetividade e subjetividade, o pessoal e o coletivo. Saber o mundo é senti-lo: o cheiro, o som e o sabor. Maria traz ao corpo do filme o que é essencial ao homem: a sua natureza, a sua cultura. Ela faz o trânsito do olho, da imagem, das figurações da sociedade do espetáculo – que distanciam – para a experiência empírica do (e com) o homem, que aproxima. A imagem não protagonizou o documentário bem a propósito. Ela despertou também sabores e sons que a acompanharam. Exigências técnicas para um documento de relatos que tem viés antropológico em bom termo, tornam-se, diga-se, desnecessárias. O tom é, aliás, de defesa do artesanal, de acompanhar o tom da cidade de Itaúnas – espaço que tem casinhas de João de Barro feitas em poste de alta tensão. Tensão da modernidade que ameaça a natureza. Ouvindo o filme, as imagens ganharam mais força e sentido. Ouvir os relatos de Tia Aninha, Seu Caboquinho, suas músicas, foi uma experiência que, feita depois de ver, emocionou e nos aproxima da alma dos personagens. Em muitas medidas colocou o olho em descanso e aproximou do sentido de mapa de Adélia Prado - texto que a autora escolheu como epígrafe do filme que conta e canta o Ticumbí de Itaúnas. O ver destacou os planos fechados nos pés, nas estradas, nas árvores, nos santos e artesanatos, e traçou um documentário de detalhes. Despertou os sentidos. A geógrafa no cinema trouxe cheiro de terra. “O mapa guarda sangue e tesouros”, diz Adélia Prado. O mapa da memória, das fotos, dos pés dançantes, dos santos, do sacro e do profano, dos olhos cheios d’agua, dos olhos subjetivos da câmera dirigida por Maria de Sá Xavier convidaram a entrar e desenharam na estrada de terra o mapa cultural que cada relato trouxe consigo." Resenha de Anna Paula Soares Lemos Prof. Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Culturas e Artes – UNIGRANRIO